Manifesto

Belo Horizonte, julho de 2026

Toda arrematação deve nascer para valer.

O leilão de imóveis cumpre uma função essencial na vida econômica do país: dá efetividade às decisões judiciais, realiza o crédito, devolve ativos ao mercado e abre caminhos de acesso à propriedade. E cumpre essa função sob um estigma que não escolheu — o de mercado opaco, de iniciados, em que a informação decisiva circula entre poucos e falta exatamente a quem precisa decidir.

Acreditamos que a opacidade não é da natureza do leilão. É ausência de instituição.

Onde a informação é privilégio, o erro vira rotina: procedimentos que se repetem equivocados, editais que não se fazem compreender, nulidades evitáveis, arrematações canceladas, decisões tomadas no escuro. Perde o Judiciário, que retrabalha; perde o credor, que não realiza; perde o leiloeiro, que responde pelo que não causou; perde quem arremata, que arrisca sem enxergar; perde o país, que vê um instrumento legítimo valer menos do que pode.

O Instituto Brasileiro de Leilões de Imóveis existe para reduzir a assimetria de informação e de acesso desse mercado — reunindo, produzindo e difundindo a inteligência que ele exige — para que todos os que nele atuam e decidem o façam com confiança e consciência.

Falamos por um mercado inteiro, não por uma categoria. O magistrado que conduz, o servidor que processa, o leiloeiro que apregoa, o registrador e o notário que dão fé pública, o advogado que orienta, o corretor que aproxima, o engenheiro que descreve, o credor que executa e o arrematante que investe são partes do mesmo procedimento — e o procedimento só é íntegro quando é íntegro para todos.

Nossos compromissos são públicos e verificáveis:

Educamos sem reservar. O conhecimento técnico que reunimos e produzimos existe para circular — em cursos, treinamentos, guias e publicações — inclusive gratuitamente, onde o interesse público o exigir.

Medimos antes de afirmar. Substituímos impressão por dado: pesquisas, diagnósticos e jurimetria são a base do que dizemos sobre o mercado.

Fixamos padrões pela conduta, jamais pela categoria. Nosso Código de Ética e nossas referências técnicas valem igualmente para todos os atores, sem privilegiar nem excluir grupos.

Servimos ao mercado, não a interesses particulares. Não prestamos assessoria individual, não recomendamos ativos, não competimos com nossos associados.

Somamos, não disputamos. Trabalhamos em colaboração com as entidades, comissões e instituições que constroem este setor.

Nosso horizonte é um mercado de leilões de imóveis maduro, seguro e acessível — em que toda arrematação nasce para valer. Sabemos que é um horizonte que não se alcança de uma vez: há sempre um padrão a elevar, um procedimento a aperfeiçoar, uma decisão a esclarecer. É exatamente por isso que somos um instituto, e não um projeto: instituições existem para o que não termina.

Este é o nosso convite — a quem julga, a quem apregoa, a quem registra, a quem orienta, a quem executa e a quem arremata: o leilão de imóveis que o Brasil merece se constrói com todos dentro.

IBLI — Instituto Brasileiro de Leilões de Imóveis
Belo Horizonte, julho de 2026